às vezes
às vezes ou quase sempre quando tento brincar com as palavras e fazer com que elas dancem ao som de uma melodia nunca antes ouvida, às vezes, acontecem coisas inesperadas como saber que alguém algures por aí está a ler estas palavras, que podiam ser escritas com fundo azul (como o céu), e esse alguém pode ate pensar que esta dança de letras pode eventualmente fazer algum sentido, e pode - imagine-se - ficar tentado a perguntar-me se estou bom, ou se estou outra coisa qualquer. eu espero. e vou esperando, porque acredito que há pessoas que são maiores do que elas próprias, que são maiores que o mundo, e que um dia - sim, um dia - quando de manhã eu acordar (e me trouxeres um sumo de laranja à cama) - um dia tudo vai ficar calmo e sereno. e então a vida continua, e quando olhar para trás não vou ter saudades dos dias em que as preocupações eram outras, em que a vida se apoiava na futilidade de pessoas com muito pouco valor moral e profissional, e tudo ficará bem.
simples
gosto do que é simples, do que é azul e brilhante, do céu e da água, do teu sorriso, do teu olhar, gosto de gostar de ti, gosto de ser assim, para ti, gosto de ser como um pássaro que canta e encanta para ti; gosto da simplicidade da palavra amor, gosto de te dizer: amo-te. gosto. ponto. mesmo.
azul
gostava de poder pegar em todas as palavras do mundo e dizer-te, baixinho, ao ouvido, que gosto de ti, do teu olhar e do teu cabelo, do teu sorriso, da tua alma quente, apaixonada; gostava de poder dizer-te uma palavra que ainda não foi escrita, nem dita, nem lida, assim como quem olha o azul do céu
tropeçar
quanto tropeço na simplicidade das palavras que tu já sabes de cor - amo-te, sabes? - tu olhas-me com aquele olhar de que me lembro desde o início, do mundo, do nosso mundo, que é embalado pela simplicidade das nossas palavras que se cruzam e entrecruzam enquanto o teu abraço se confunde com o meu
tudo é possível
"- Se atingirmos a unidade é possível parar o mundo.
- Eu só quero ter-te comigo. Tu, os dias e as noites, a casa e o jardim, os livros e as flores.
- Mas há outras realidades, todas as realidades"
- Eu só quero ter-te comigo. Tu, os dias e as noites, a casa e o jardim, os livros e as flores.
- Mas há outras realidades, todas as realidades"
desisto
desisto e hesito mas decido, finalmente. quero-te fora da minha vida, chega, não aguento mais, não quero palavras sem sentido, nem olhares fingidos, não me quero magoar, não te quero magoar, desaparece rapidamente, sim ? obrigado
encontro-te (encontras-me)
porque é que amar é preciso e porque é que sem amar podia estar tudo bem ? porque é que existe esta procura que não acaba nunca, e porque é que as lágrimas são mais fortes e ganham quase sempre, quase sempre, mesmo quando tentamos com muita força sorrir? porque é que me abraçaste e puseste a tua mão na minha perna, porque é que me deste um beijo e disseste que não gostavas de mim? porquê? eu quero abraços, e beijos, e toques e olhares, quero isso tudo, e até podem durar a eternidade de um suspiro, mas quero, e digo-te que preciso, mas nem tu (nem ninguém) ouve. vai chegar o dia em que ficará tudo preto no branco, e ou desisto de tudo porque não vale a pena continuar ou então tu vais-me encontrar, deitado no chão, perdido como um grão de areia numa praia, e vais dizer-me, olhar-me, segurar-me e cantar-me aquelas palavras ao ouvido...




